terça-feira, 10 de julho de 2007

O meio-termo

Há uma boa diferença entre escrever para publicar e escrever para registrar idéias em diário, agenda ou outro meio particular usado para tal fim.

No primeiro caso, não se pode fugir à exigência óbvia de se cuidar da correção da linguagem, em respeito ao nosso leitor.

No segundo caso, porém, podemos nos permitir uma liberdade cômoda de não precisar de ter exagerado cuidado com o uso dos pronomes, com a repetição de palavras, com a exatidão das regências, deixando passar esses e outros deslizes, pois escrevemos apenas para uso próprio.

Penso que, ao escrever esses pequenos textos para o meu blog, tenho ficado no meio-termo, porque as reflexões são pessoais e modestas, sem o intuito de publicação. Vejo, porém, que tenho sido lida e, por certo, isso deveria me obrigar me tornar mais cuidadosa. Por outro lado, tenho visto que na Internet, onde se escreve quase sempre apressadamente, a linguagem é bem simplificada e permite um tom coloquial. Sendo assim, vou continuar dando um trato informal ao que venho escrevendo por aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Poetas e prosadores são escritores

Várias vezes ouvi palestrantes de renome fazerem referência a poetas e escritores presentes no local do evento. Já li, também, notícias nos jornais que mencionavam escritores e poetas, dando a impressão de que os poetas não pertencem ao grupo dos escritores. É como se alguém dissesse ter visto animais e cachorros, ou frutas e laranjas. Cachorros devem estar incluídos entre os animais. As laranjas também são frutas. E os poetas também são escritores.
A distinção a ser feita é entre poetas e prosadores que, em ambos os casos, são escritores.
Os prosadores se diversificam em romancistas, contistas, ensaistas, cronistas, novelistas.
Para mim, esta classificação parece clara. Por isso, não entendo a confusão tão generalizada que é feita, não incluindo os poetas entre os escritores, citando-os como literatos que não fossem escritores.
Será que estou cemetendo algum erro no meu modo de entender o assunto?

Poetas e prosadores são escritores

sexta-feira, 29 de junho de 2007

As cartas não mentem jamais

Depois do lançamento do meu primeiro livro, “Pequenos Amores”, em cujos dez contos se cumpre o vaticínio de uma cartomante que prevê para a Rosa repetidos obstáculos em amor, várias foram as pessoas que me cobraram uma história onde eu mostrasse o seu “grande amor”, que certamente deveria ter existido. Em “Cabine Individual” atendo aos leitores curiosos e conto um novo caso de amor da Rosa, mais concreto, e que poderia ter sido grandioso, não fosse a predição, que não falhou, confirmando a crença de que “as cartas não mentem jamais”. Devo ter frustrado os leitores que esperavam um final feliz. Mas fui coerente com as palavras da cartomante.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Papéis amarfanhados

Lendo os Diários de Josué Montello, noto que ele fala, de vez em quando, nas folhas amarfanhadas que atira na cesta de papéis. Em filmes e novelas, é comum a cena em que alguém, ao ficar insatisfeito com o que acabou de escrever, amarfanha a folha rejeitada, atirando-a no lixo.

Na pequena cesta ao lado da minha cama só vejo papel picado. Rasgar o papel em mil pedaços – bem diferente de amarfanhá-lo – é o meu gesto usual quando rejeito algo que escrevi ou quando me desfaço da papelada que já não tem serventia. Não sei explicar a origem deste hábito, porque os exemplos, no que leio e vejo, bem poderiam ter me ensinado a amarfanhar papéis. Qualquer dia vou experimentar.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

O destino dos livros

Um escritor conhecido, falando sobre a dificuldade da distribuição de livros na nossa Cidade Sorriso, contou que muitas vezes o autor se vê obrigado a guardar os pacotes com os exemplares ocasionalmente encalhados embaixo da cama, por falta de outro lugar.

Quando estava providenciando o lançamento de meu primeiro livro, tinha uma cama com três gavetões, sob a qual não havia espaço para guardar os livros que encalhassem. Por via das dúvidas, troquei minha cama por uma de quatro pés, com amplo espaço, embaixo, para acomodar os pacotes, quando chegassem da editora. Eles ficaram lá por algum tempo, até que descobri que poderiam ser arrumados nas estantes, por detrás das fileiras dos seus livros. Melhor seria, porém, se eles se transferissem para as bancadas das livrarias e, depois, para as estantes dos leitores. Mas o destino dos livros de um autor pequeno e desconhecido é repousarem em algum canto escondido da casa.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Agulha no palheiro

Acontece, às vezes, de encontrarmos, num livro que pegamos para ler, falhas que dificultam a leitura. Já comprei livros que vieram com algumas páginas em branco, com páginas fora de ordem, com vincos pretos atravessando a página ou com impressões superpostas que tornavam a escrita ilegível.
Assim, quando editei meu primeiro livro, rezei para que não viesse com falhas. Tudo parecia correr bem, até que um leitor me ligou para avisar que as páginas de seu livro estavam embaralhadas. Evidentemente, troquei seu exemplar por um perfeito. E me dei ao trabalho de verificar todos os livros dos pacotes restantes, em busca de um caso parecido. Parecia estar procurando uma agulha no palheiro, abrindo e fechando pacotes, sem nada encontrar de errado. Apenas aquele livro tinha vindo com defeito e um amigo meu foi "premiado" com ele. Coisas que acontecem...